Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Cinco coisas
. “Em 1790, a convite do rabino Moisés Seixas, o Presidente George Washington visita esta sinagoga de judeus portugueses e dias depois lhes envia uma carta que ficaria para a história, reafirmando os princípios de igualdade e tolerância religiosa que norteavam a Constituição americana: “(…) Porque felizmente, o governo dos Estados Unidos, que não confere sanção à intolerância, nem à perseguição assistência (…)”. Estas palavras eram escritas um ano antes da Declaração de Direitos, que mesmo assim apenas se aplicava ao governo federal.”
. “A teoria da amoralidade na arte se estabeleceu firmemente na classe artística. Eles se sentiram livres para produzir qualquer coisa que desejassem. Estavam livres para escrever “O Paraíso Perdido” em que Satã conquistaria Deus. Podiam escrever a “Divina Comédia” em que o paraíso estaria sob o chão do inferno. E o que fizeram? Será que produziram em sua universalidade algo mais grandioso ou mais belo do que as coisas produzidas pelos gibelinos católicos, por um rígido professor puritano? Sabemos que produziram apenas uns poucos “roundels”. Milton não os vencia somente em sua devoção, ele os vencia na própria irreverência deles. Em todos os seus pequenos livros de versos, você não encontrará um desafiante mais sofisticado de Deus que Satã. Tampouco encontrará a grandeza do paganismo visto pelos ardorosos cristãos que descreveram Faranata balançando a cabeça em puro desdém pelo inferno. E a razão é muito clara. A blasfêmia é um efeito artístico, pois depende de uma convicção filosófica. A blasfêmia depende da crença e está definhando com ela. Se alguém duvida disso, deixe-o sentar calmamente e tentar seriamente ter pensamentos blasfemos sobre Thor. Penso que a família desse sujeito o encontrará exausto ao final do dia.”
. ”"Viver sem fumar é como escrever sem pontuação. Pelo menos, para mim. A pequena cerimónia de acender um cigarro marca um ‘tempo’: o princípio do dia, o princípio do trabalho, cada intervalo ou cada distracção, o alívio (ou o prazer) de acabar qualquer coisa, o almoço (quando almoço), o jantar (quando janto), o fim do dia, antes de fechar a luz, como um ponto parágrafo. O cigarro divide, acentua, encoraja, consola. Abre e fecha. É uma estação e uma recapitulação. ‘Já cheguei aqui. Falta ainda isto, isto e aquilo’.
. “Reduzida à menor das insignificâncias, o amigo google havia de me proporcionar recettes de foie gras. De pato, claro. Ainda não tinha passado meia dúzia de páginas e já só via campanhas e petições contra a abolição da gavage, ilustrações terríveis, apelos a boicotes e relatórios internacionais. Em minutos, estava transformada num criatura execrável, capaz das maiores torturas contra os direitos dos animais, uma megera indiferente à crueldade a que sujeitavam os bichos, logo eu, que não faço mal a uma mosca.”
. Horas de reflexão.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 12:22 PM
The Old Blue Book Preservation Society
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:18 AM
Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
The Old Blue Book Preservation Society
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:03 PM
Eu odeio...
... Arnaldo Jabor;
... Regionalismo. Porque o coco e o maracatu, oh... que coisa excitante, né?
... Regina Casé. Eu a proibiria de existir;
... Carnatal. Todas aquelas pessoas bebendo cerveja ruim e ouvindo música ruim e sendo apalpadas por completos estranhos e urinando na rua e – Deus! – algumas até entram em como alcoólico! Alguém mais consegue ver a estupidez da coisa?
... Cinema nacional. E não vou me alongar no assunto por uma questão de higiene;
... Chico Buarque;
... Aqueles adolescentes que vão a programas de auditório tipo Serginho Groisman e gritam “aêêêêêêêêêê” cada vez que um ator ruim da Globo diz algo como “Gente, precisamos aprender a respeitar as diferenças”;
... Gente que respeita as diferenças. Porque a única opinião correta é a minha;
... Serginho Groisman;
... Rap. Se esses cantores que andam mostrando os fundilhos ganham mais do que eu, por que diabos eles são os oprimidos e eu o opressor?
... Arte marginal. Porque se eles levassem o rótulo a sério, trocariam as capas de revistas de cultura pela delegacia de roubos e furtos mais próxima;
... Gente como a gente. Como a gente o cacete! Vai procurar a tua turma;
... Ronaldo Bolão;
... Citações de “Deus, um Delírio”. Popularmente conhecido como “Richard Dawkins, um Delírio”;
... Gente que se orgulha de nunca ter lido um livro. Foi a “escola da vida” que lhe ensinou a ser uma anta?
... Gente que chama Belchior de poeta. E na seqüência cita “eu sou apenas um rapaz latino-americano...”;
... Literatura latino-americana. E todas aquelas gentes feias;
... Escritores brasileiros que desdenham os enlatados americanos. Porque uma coisa como House, por exemplo, é infinitamente mais bem escrita e trabalhada do que o grosso da literatura brasileira dos últimos 500 anos;
... Bandas de rock com temática satanista. O que exatamente mais lhe atrai no inferno: a seção das almas empaladas ou a das que queimam eternamente em um rio de excrementos ferventes?
... A sabedoria popular. Você gosta mais do tipo que toma cachaça e bate nas crianças ou do que destrói o mercadinho da esquina quando o Flamengo perde?
... Grafiteiros. Porque os pichadores, pelo menos, a gente ainda pode botar na cadeia;
... Gente que lê grifando. Pegue qualquer livro em uma biblioteca pública e comprove: eles sempre grifam as partes mais desinteressantes;
... Transformar verbo em substantivo. A menos que seja o calar de boca;
... Saudosos do Chico Science. Oh, ele era tão sexy;
... Gente que duvida da existência de pessoas que realmente gostem de jazz e música clássica. Porque depois do funk latrina e do Charlie Brown Jr fica difícil ouvir qualquer outro tipo de música, né?
... Ayrton Senna;
... Momentos históricos esportivos. Incluindo aquela antológica final da série B do campeonato sul-matogrossense de pebolim júnior.
... Lobão;
... Qualquer pessoa que foi, é ou um dia virá a ser VJ da MTV;
... Poesia adolescente. Criança, um dia você ainda vai morrer de vergonha por ter escrito isso;
... Marta Suplicy. Alguém precisa dizer a essa senhora que ela está deixando todo mundo constrangido;
... Aliás, a família Suplicy inteira. Ah, desculpe, esqueci que você é fã do Supla;
... Gonzaguinha. É por culpa desse senhor que todos os dias acordo com vontade de espancar um cantor de emepebê;
... O rock alternativo. Porque tocar porcamente é tão, mas tão cool;
... Bono Vox;
Pronto, isso é o mais próximo que já cheguei de uma declaração de princípios. E não esperem algo como “Eu amo...” na seqüência, pois isso seria muito cafona e constrangedor. Falar mal é muito mais divertido.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 10:49 PM
Xin chào
O blogueiro e seu leitor ideal
Os melhores blogs são sempre uma espécie de piada interna. Às vezes tão interna que só o autor entende. É como fazer parte de um clube fechado para senhores, onde novos membros quase nunca são aceitos e, quando o são, têm que sobreviver às mais diversas manifestações de desprezo e humilhação até serem plenamente integrados.
Nunca me entendi bem com essa coisa de democratização. Por mim, este blog teria senha de acesso, que vocês três receberiam em envelopes lacrados, postos por debaixo de suas portas de madrugada. Lógico que, mesmo com limitações técnicas, tomo todas as medidas cabíveis para expulsar os fariseus daqui. Não abro espaço para comentários, nem divulgo o endereço fora de círculos restritos. Mas é obvio a coisa foge do controle e, vez por outra, posso sentir o karma deles exalando seu característico cheiro de pomada minâncora através do desktop.
Um clube para senhores, vocês devem intuir, ganha charme e interesse na medida em que se torna mais e mais restrito. De modo que o blog ideal só tem um leitor: seu próprio autor (e quem falar em socialização ganha um pé na bunda; passo bem só com dois leitores).
E acabo de ter uma excelente idéia. Quando o capitão Aubrey e o Dr. Maturin não querem ser compreendidos pelos marujos da HMS Sophie, eles falam em latim. A genialidade é que eles conseguem ter privacidade no convés de uma pequena embarcação lotada. Posso aprender alguma língua exótica, com o galês antigo, e passar a escrever nela. Vou ter que expulsar vocês três, é verdade. Meus sinceros sentimentos, mas algum sacrifício tem que ser feito.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:59 AM
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
Dixit George Soros Fiat Lux
Roubei daqui esse trecho de Chesterton [*].
“...O que eu perdi foi minha fé infantil na política prática. Continuo igualmente preocupado com a batalha do fim do mundo, mas não estou tão preocupado com as eleições gerais. (…) Igualmente, e mais do que nunca, acredito no liberalismo.”
É uma pena que ele encerre esse trecho brilhante afirmando fé no liberalismo. Porque o liberalismo é justamente essa política prática que ele, aparentemente, desdenha. É uma forma de vulgaridade, embora seja essa vulgaridade que movimente o mundo.
Bem, espero que as pessoas se reúnam e pensem direitinho e concluam que o liberalismo é melhor caminho a ser tomado, mas, Deus!, me poupem dos detalhes. Sigam com suas coisas práticas e boa sorte. Me deixem aqui, com meus preparativos para a batalha do fim do mundo.
O liberalismo, como proposto por Adam Smith, é um sistema econômico subordinado a leis morais. Ok. Mas essa coisa de sujeitos engomados que assistem palestras do vendedor pitbull e lêem a “Arte da Guerra para Administradores” é tão ruim quanto, sei lá, Rita Pavone cantando “Datemi un Martello”. É bem mais inofensivo do que tipinhos fedorentos e revolução proletária, é claro, mas o feudalismo também é; com a vantagem de que, neste, os duelos de espada são bem aceitos.
O que estou querendo dizer é que você não pode ter o livre mercado como norte moral. Não pode, simplesmente não pode! É como acreditar que por trás da Sinfonia nº 9 só exista indicadores IPCA; ou como se o céu fosse formado por tabelas do índice de preço por atacado; ou escolher a cor do seu sapato tendo por base as taxas referenciais de Swaps.
E se você realmente acredita nisso, bem, o que diabos você está fazendo com esse sorriso sarcástico no rosto? Faça alguma coisa descente; chore, pelo menos. Porque alguém que está cercado por balancetes do BC só tem motivos para chorar.
Na verdade, essas ressalvas que tenho com o capitalismo podem ser estendidas a qualquer forma de materialismo. Porque um materialista é alguém que substitui algo excitante, como Deus, por alguma coisa tediosa e meio grosseira, como o livre mercado ou a grande revolução dos oprimidos. Penso que os ateus, mesmo que inconscientemente, acreditam em coisas grandiosas. Caso contrário, não teriam ânimo para levantar a cabeça do travesseiro todos os dias e encarar a eterna marola da taxa Selic.
[*] Por falar em Chesterton, ele está sendo traduzido em um bom ritmo aqui. Imperdível.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 1:49 PM
Domingo, Novembro 30, 2008
Flamengo sempre eu hei de ser
Está na hora do povo oprimido mostrar seu valor
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 8:33 PM
Quinta-feira, Novembro 27, 2008
The Old Blue Book Preservation Society
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:15 AM
Flebas, o fenício
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 10:52 AM
Quarta-feira, Novembro 26, 2008
The Old Blue Book Preservation Society
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 1:09 PM
Terça-feira, Novembro 25, 2008
Grandes Temas
O homem nasce bom
Debate entre o senhor P, presidente da Associação de Combate à Nudofobia, e o senhor M, advogado da Giorgio Armani e membro-fundador do Clube Pindamonhangabense de Senhores que se Vestem Bem.
P – Boa noite a todos. Primeiramente gostaria de falar um pouco sobre o grupo que presido, a Asconu – Associação de Combate à Nudofobia. Nosso trabalho é desenvolver políticas de auto-afirmação junto à comunidade nudista, combatendo o preconceito e lutando, junto ao poder público, pela igualdade dos direitos e o fim do apartheid social em que vivemos, onde pessoas como eu, por serem diferentes, são obrigadas a restringirem seus desejos a ambientes fechados, separados do convívio da sociedade, como se fôssemos párias. Defendemos, sim, o direito de andarmos nus em praça pública, sem sermos discriminados ou até presos e agredidos, como vem ocorrendo frequentemente.
M – Boa noite, amigos. Quero agradecer pelo convite e parabenizar aos organizadores deste debate por abrirem esse espaço democrático de discussão. Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que eu e a organização do qual sou membro-fundador apoiamos o nudismo e não nutrimos qualquer preconceito contra aqueles que gostam de andar pelados. Nossa defesa é apenas dos valores morais da nossa sociedade. Defendemos que o espaço público seja preservado de determinadas práticas que vemos como potencialmente prejudiciais e até mesmo ofensivas...
P – Desculpe interromper, mas o senhor alega não nutrir qualquer tipo de preconceito contra o nudismo, mas abusa de termos pejorativos como “pelados”, etc. O senhor não acha que isso é uma forma de preconceito?
M – Veja bem, não tenho a intenção de ofender quando uso o termo “pelados”. Estou apenas fazendo uso de uma expressão popular que...
P – Que é justamente o tipo de coisa que nós, da Asconu, tentamos combater: essa discriminação que está tão difundida na sociedade que é encarada com normalidade por pessoas como o senhor. O que o senhor acha dos nudistas que são agredidos fisicamente apenas por tentarem fazer valer o seu direito natural de caminhar sem roupa pelo calçadão, por exemplo?
M – É lógico que eu e meus colegas do Clube Pindamonhangabense de Senhores que se Vestem Bem somos totalmente contra agressões físicas e outras práticas coercivas contra aqueles que apenas almejam expressar publicamente seus desejos, mas é preciso levar em conta que muitas pessoas se sentem ofendidas ao ver um pênis ou uma vagina expostos aos seus filhos pequenos e...
P – Esse é o problema da nossa sociedade. O senhor fala em preservar as “nossas” crianças da “imoralidade” de um pênis ou uma vagina. Mas o que pode ser mais natural do que um pênis ou uma vagina? Por que nossos filhos devem crescer com medo? Afinal, todos nascemos nus. Explique-me, senhor M, por que é imoral andar nu?
M – Ora, pelo mesmo motivo porque ouvimos O Danúbio Azul ou pagamos uma fortuna em restaurantes franceses: porque somos civilizados e...
P – Civilizados? Quer dizer que o senhor considera que os nudistas são pessoas que não pertencem à civilização? E ainda diz que não é preconceituoso?
M – Veja bem, eh... Não foi isso que eu quis dizer, eu... eh... Acho que o senhor está distorcendo um pouco as minhas palavras e...
P – Ah, então me explique. O senhor diz que andar nu é coisa de bárbaros, que os civilizados usam terno Armani, empresa que, aliás, financia fartamente o senhor e seu clubinho de garotos ricos. E ainda afirma que estou distorcendo as suas palavras?
M – Bem, eh... Eu acho que a platéia pode ter uma idéia errada do que é o meu clube. Como deixei claro no começo, não somos contra o nudismo ou qualquer tipo de agressão aos direitos nudistas, só achamos que...
P – Se o senhor é contra qualquer tipo de agressão aos direitos nudistas, por que se opões tão violentamente ao nosso direito de andarmos nus em praça pública?
M – Talvez porque isso não seja exatamente um direito garantido pela constituição...
P – E não é porque pessoas como o senhor insistem, em nome de uma moral falida, se opor a marcha das coisas. Quase toda a Europa já aprovou leis mais brandas para questões relacionadas ao nudismo, mas o Brasil insiste em manter uma legislação arcaica. Coisas como o clubinho a que o senhor pertence, financiado por multinacionais milionárias, e instituições religiosas ultra-conservadoras são o que atrasam o futuro. Às vezes acho que estamos andando para trás.
Aplausos da paltéia
M – Olha, o amigo está, obviamente, nervoso e distorcendo as coisas...
P – Há! Nervoso! Sim, fico nervoso sim. Mas só quando vejo pessoas sendo discriminadas na rua. Nudistas sendo presos e agredidos física e moralmente. Olha, a Asconu não está pedindo o fim da indústria da moda ou a proibição do uso de roupas, como os conservadores afirmam, apenas queremos o direito de decidir: decidir se vamos ou não andar vestidos, se queremos ou não nos submeter a essa tirania em que vivemos, à sua “moral”, aos seus riquinhos bem vestidos...
M – Olha, se o senhor e os seus peladões querem sair por aí mostrando as coisas, problema seu! Só não quero que meus filhos sejam obrigados a ver negócios balançando no meio da rua!
P – Bem, eu acho que agora a platéia já tem a resposta que queria. Quando fui convidado para esse debate, esperava encontrar alguém preparado, com argumentos civilizados. Mas vejo que tudo o que o senhor tem a oferecer é nudofobia. Fico triste. Fico triste inclusive pelos seus filhos, que nunca terão o mero direito de escolher... - chora - Um dia, senhor M, seus filhos vão agradecer a pessoas como nós, da Asconu, por termos dado a eles o direito de decidir. Mas, infelizmente... desculpem... – chora.
M – Eh... bem... talvez eu tenha me expressado mal. Queria pedir desculpas à platéia e ao meu colega de debate. Nosso Clube não nutre qualquer tipo de preconceito contra nudistas e...
P – Confesso que estou decepcionado com os rumos que esse debate tomou. Esperava um ambiente democrático, mas só encontrei intolerância e nudofobia. É uma pena. Nós já sofremos muito. Fomos queimados na Inquisição, jogados em câmeras de gás pelos nazistas. Esperava encontrar um pouco mais de humanismo, mas acho que ainda não chegou a hora. Mas o futuro está do nosso lado. Boa noite a todos.
Aplausos, assovios, gritos, latidos e arrotos
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 3:18 PM
Volta, Eurico
Com a segunda divisão eu já me acostumei. Mas isto aí embaixo é muita humilhação:
Aqui.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:26 AM
Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Isso aqui tinha que ser dito uma hora ou outra.
Língua e discriminação
As pessoas que dizem que o uso da norma culta é um fator de discriminação estão absolutamente certas. Eu discrimino pessoas por seu uso da norma culta, ou melhor, por seu desprezo pelo uso dela. Por exemplo, escrever e falar em bom português – bom apenas? Que digo? Kalós kai agathós! – o tempo todo, e não apenas quando “o contexto” pede, não chega a tornar uma mulher atraente, mas o desleixo no falar e escrever pode chegar a torná-la repulsiva. A menos que você esteja no nível da Ana Beatriz Barros (ah, mas eu creio que ela escreva direitinho), cuide das vírgulas e nunca represente todas as oclusivas guturais surdas pela letra “k”.
Todos discriminamos os outros segundo os critérios que achamos mais importantes ou de que gostamos mais. Admito que, a rigor, poderíamos até escrever usando apenas o alfabeto fonético, mas eu gosto do idioma e por isso não gosto de quem não gosta dele. Além disso, ao contrário de uma roupa ou mesmo de uma tatuagem, o bom uso do idioma depende de um ato voluntário e continuado, não de um ato pontual que vai transmitir algo sobre sua identidade.
Tem gente que vai me discriminar por eu, sei lá, ser católico ou esnobar todas as cervejas populares brasileiras. Na verdade, quando alguém reclama da discriminação, só pode estar reclamando de duas coisas: ou não faz parte do grupo que o esnoba, ou queria que os seus próprios critérios é que validassem o esnobismo. “Discriminemos não A, mas B”. Por isso, mesmo que os lingüistas falem e escrevam, e que as pessoas de pendores sociológicos falem da arbitrariedade da norma culta como critério de discriminação, só posso dizer que é hora de acordar para o reles fato de que todos os critérios de discriminação pessoal são mais ou menos arbitrários, e que eles definem as companhias que você espera partilhar. Vós que transformais os métodos da lingüística em princípios doutrinais podeis ficar com a Secretaria das Culturas e tudo aquilo que aguarda aval antropológico; eu fico com Machado de Assis, com Fernando Pessoa.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:34 AM
Aprendendo a montar uma banda de rock decente com os Kinks
Envelheça rápido – Esse negócio de die young é para imbecis. Todo mundo sabe que com a idade ficamos mais inteligentes, engraçados e sexy (troque o sexy por gordo, se você quiser). Aos 21 anos, Ray Davies já cantava “Where have all the good times gone”, enquanto Pete Townshend ainda tentava descobrir como funcionava sua guitarra. Morra velho, velhinho. The Kink Kontroversy (1965).
Troque o LSD pelo Purgante Jake – Pra quê falar de drogas e experiências lisérgicas se você pode falar de ressaca e preguiça? “But I am so lazy, don't want to wander / I stay at home at night”. Esses discos desafinados costumam ser uma porcaria, acredite. Para a parte legal (os barulhinhos e tal) tente Purgante Jake, que vai lhe transformar em uma espécie de Doutor House do rock. Something Else by the Kinks (1967).
Ô mininu inteligenti! – Se você insiste em gravar uma dessas obras conceituais, cheias de referências, tente ao menos se divertir um pouco. Se os caras do Pink Floyd soubessem que seus discos não são óperas de Wagner, ah... o mundo seria tão melhor. Dica: se quiser dizer coisas dramáticas como “for this land I shall die”, tente fazê-lo no ritmo mais mongolóide possível. Fica engraçado. Ah, tente criar uma capa legal também. Arthur Or the Decline and Fall of the British Empire (1969).
Assuma os momentos de crise – Entendo que a certa altura da vida você queira gravar um disco de hard rock (na verdade, eu não entendo não, mas tento ser gentil). Pelo menos reconheça que está passando por um momento difícil. “In man's evolution, he has created the cities and the motor traffic rumble, but give me half a chance and I'd be taking off my clothes and living in the jungle”. Lola vs. the Powerman & the Money-Go-Round, Pt. 1 (1970)
E você esperava o quê, uma medalha? – Se você quer dinheiro e glória, case com uma japonesa horrorosa ou aprenda a rebolar como o Mick Jagger. O único motivo decente para se montar uma banda de rock é se divertir com os amigos, rir de si mesmo e reclamar do preço do preço das coisas. “Ain't got no ambition, I'm just disillusioned. I'm a twentieth century man but I don't wanna be here”. Muswell Hillbillies (1971)
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:06 AM
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
The Old Blue Book Preservation Society
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 2:12 PM
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Lasciate ogne speranza,
voi ch'intrate
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus
Carlos Drummond de Andrade
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