Quarta-feira, Abril 29, 2009
Impressões e opiniões e “veja, este sou eu”
Dou por encerrado este blog. Fica o cadáver aqui, enquanto achar que devo expô-lo. Fiz, por meio dele, o último expurgo do que havia de infantil em mim. Infantil no pior sentido, entenda-se. No sentido de imaturo, narcisista e meio cruel. Agora, isso não é mais uma necessidade.
Quando era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
With hey, ho.
Escrever sempre me pareceu uma necessidade. Agora não é mais. Tenho muitas coisas pra observar e pô-las em papel é uma forma de empobrecê-las; pelo menos para alguém que não tem muitos talentos literários, como eu.
Depois que me tornei homem,
fiz desaparecer o que era próprio da criança.
With hey, ho.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 4:21 PM
Quinta-feira, Abril 16, 2009
Ei, fino, fino
“Caminhou na direção da porta. Depois notei que parou de novo e se pôs a olhar para o chão. Como se mergulhasse em pensamentos profundos.
‘Eu nunca os entendi’, ele disse. ‘Essas duas criaturas que vejo em todos os lugares, andando com passos pesados, primeiro um pé, depois outro. Nunca fiquei satisfeito com a explicação comum de que eram os meus próprios pés.’
E saiu, ainda abotoando cuidadosamente as luvas.”
Uma história maluca, G.K. Chesterton.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 10:36 AM
Sábado, Abril 04, 2009
Férias
“Vaidade das vaidades – diz Coélet – vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração vai, uma geração vem, e a terra sempre permanece. O sol se levanta o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte, e girando e girando vai o vento em suas voltas. Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar nunca se enche: embora chegando ao fim do seu percurso, os rios continuam a correr. Todas as palavras estão gastas e ninguém pode mais falar. O olho não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir.
O que foi, será,
o que se fez, se tornará a fazer:
nada há de novo debaixo do sol!”
Eclesiastes, palavras de Coélet, filho de Davi, rei de Jerusalém
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:03 AM
Quinta-feira, Março 19, 2009
Vaias
Não sou, senhores, sob nenhum aspecto, uma pessoas moderada. A moderação é coisa de gente que se leva a sério, que nutre por suas opiniões um desmedido apreço. Pois nenhuma idéia moderada possui graça, elegância ou mesmo inteligência. Só se apela a elas por dois motivos: crença em sua autenticidade ou medo de fugir dos padrões de normalidade. Nos dois casos, a ausência de humor é notável.
O problema todo é que devemos ter certo desapego a nós mesmos, ao que consideramos vaidades conquistadas a ferro e fogo. Não se vive em um mundo civilizado sem esse desprendimento. Claro que toda idéia contrária a nossa deve ser encarada como uma asneira sem limites; mas de vez em quando, por uma questão de higiene mental, devemos considerar nossas próprias idéias asneiras sem limites. De modo que quando um debatedor nos joga na cara a imbecilidade de nossos argumentos, já estamos prontos para rebatê-lo, pois nós mesmos já pensamos na possibilidade daquilo tudo ser uma imbecilidade muito maior do que o pobre adversário poderia imaginar.
Quando Auberon Waugh escreveu que o pessoal da gráfica ganhava mais do que ele e mesmo assim vivia fazendo greve, passou a ser vaiado pelos operários todos os dias, sempre que entrava no jornal. Nunca tentou entrar pelos fundos ou em horários alternativos; pelo contrário, cruzava a sala com um leve sorriso no rosto, como que orgulhoso pelos gestos de hostilidade.
Penso que a boa opinião é aquela que rende vaias de todos os funcionários de gráfica do mundo.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 2:53 PM
Terça-feira, Março 17, 2009
No qual advogo pela causa gay
De fato, casaria com esse homem
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 10:52 AM
Domingo, Março 15, 2009
Suje-se gordo
"Forniquem, filhos, mas forniquem direito"
O mundo moderno é tão decadente, tão burro e vulgar, que é preciso um católico conservador, como eu, para dar lições de libertinagem aos que se dizem libertinos. Se Oscar Wilde voltasse ao mundo, teria que procurar discípulos nas igrejas, pois fora delas só encontraria velhotas virgens.
Defender o uso de preservativos, por exemplo. Nada pode ser mais anti-hedonista. Isso é puritanismo envergonhado. Umas duas ou três donzelas politicamente corretas que eventualmente lessem essas palavras arregalariam os olhos chocadas e me acusariam de provocar escândalo. Não seria estranho se me acusassem de tentar corromper a juventude. Ora, explico, então, minhas palavras, valorosas senhoritas.
Sexo com camisinha é como cerveja sem álcool. É abrir mão do, digamos, fundamental choque de epidermes para abraçar um simulacro. Em sua natureza, não difere muito do onanismo.
(Ai, ai. Já vejo vocês três gritando em frente ao computador: “Indecente!”. Desculpem mais uma vez, senhoritas, mas cabe a alguém apresentar-lhes a verdade.)
Ninguém negaria que o sexo tem conseqüências terríveis, nefastas até; e um preservativo é apenas uma forma de fugir dessas conseqüências. Mas quem opta por esse caminho está fugindo também das extremas potencialidades daquilo que gosta. Fugir daquilo que se gosta por medo é covardia. E é isso que essas pessoas são: covardes fingindo ousadia.
Sempre admirei libertinos e Oscar Wilde está aqui, abrilhantando minha estante com suas imoralidades. Um libertino é alguém que assume os riscos daquilo em que acredita. Não escolho esse caminho por ser trágico demais, mas não o considero a pior das escolhas possíveis. O pior mesmo é levar a vida a fugir daquilo que se quer por medo. É se arrastar pelo buraco do rato. A única coisa que podemos fazer por essas pessoas é expô-las ao sol, como se faz com os vermes.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 1:22 PM
Sexta-feira, Março 13, 2009
Opiniões
Uma criança não tem muita dificuldade de acreditar em Deus porque tudo é surpreendentemente novo para ela. As cores e os sons que a cercam são suficientemente incríveis para que a idéia de um paraíso celeste pareça verossímil. Desconfio que o ceticismo evolua junto com um fastio pela natureza. Um ateu é alguém que olha para os efeitos de iluminação dos raios solares no fim da tarde e vê uma equação científica anódina.
...
Nos últimos dois ou três dias acordei opinativo, dado a debates, e voltei a sentir o velho enfado que essas ocasiões proporcionam. Nenhum carro passou por mim nesse tempo sem que eu opinasse sobre a prudência do motorista, a velocidade do veículo, a cor da lataria, o mau gosto dos adesivos, o volume do som, a feiúra dos passageiros. É natural que dois dias nesse estado nos deixem com uma ressaca danada de opiniões. Não quero mais saber delas, por favor. Estou como o adolescente após sua primeira bebedeira: nunca mais opino na minha vida.
...
O excesso de opiniões nos desconcentra das coisas prosaicas. Há dois ou três dias acordo sem prestar atenção no vento batendo na cortina. Troquei Lewis Carroll pelos blogs de política e voltei a prestar atenção nas capas dos semanários (o que realmente estragou meus dias). Não há surpresa nenhuma no mundo quando você está pensando no melhor esquema tático para o seu time de futebol ou no modelo econômico ideal.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 3:33 PM
Quinta-feira, Março 12, 2009
Explicando
A gigantesca maioria das críticas que leio ao catolicismo parte de pessoas que de fato desconhecem completamente a natureza da religião. Quando pensam em um católico, elas pensam em um puritano ou em padres malucos queimando infiéis na fogueira. Criticar algo a partir de uma ignorância é preconceito. Dado nome aos bois, vamos adiante.
Quando Cristo disse que não veio ao mundo para chamar os justos, mas os pecadores, Ele estava traçando o perfil de Seus seguidores. Outra vez, quando escolheu alguém para fundar sua Igreja, não selecionou o apolíneo Paulo, o mais justo dos judeus, seguidor estrito da Lei; mas um sujeito fanfarrão, de comportamento intempestivo, que ainda haveria de negá-Lo três vezes.
Em conduta e temperamento, Pedro dificilmente seria aceito como um santo. Foi evasivo na disputa entre Paulo e os judeus-cristãos, na questão da pregação aos gentios. Se a princípio aceitou a doutrina do primeiro, entre os segundos temeu defendê-la e só ao final da vida proclamou-a abertamente. Esse homem de temperamento inconstante e evasivo conhecia-se suficientemente bem para, ao ser condenado à morte, pedir para ser crucificado de cabeça para baixo, de modo que não fosse confundido com o Cristo. Jesus, como Deus, não podia desconhecer o caráter de seu apóstolo, mas o escolheu como pedra fundamental de sua religião. Da eternidade, onde o tempo é visto de forma plana e não linear (como nós o vemos), Pedro está, neste exato momento, negando-O novamente. E o negará enquanto este recorte no espaço, em que estamos inseridos, existir. Está traçando aí o perfil de Sua Igreja.
Creio que o catolicismo pleno é uma conseqüência. Explico. A primeira causa do catolicismo é o autoconhecimento. Não à toa, a confissão individual, defendida veementemente pela Igreja durante milênios, é um processo, em todos os sentidos, semelhante à psicanálise. A segunda causa é o reconhecimento de uma falha básica na natureza humana, que não pode ser sanada por vias materiais. Observem, não é necessário ser católico para reconhecer esse dado. Um ateu (e a história está cheia de exemplos do tipo) pode muito bem encontrar esse elemento sombrio. É ele que lhe faz odiar alguém que você ama muito em um momento de irritação menor; é ele que lhe faz negar uma esmola a um velho; é ele que leva alguém a estuprar uma criança. Um materialista pode chamá-lo de miséria humana. Um crente, de pecado original. Trata-se da mesmíssima coisa.
Aí encontramos a primeira originalidade do sistema fundado por Cristo. Ele se propõe a ser uma cura (metafísica, nunca material) dessa falha básica. Daí que Ele queira os pecadores, não os justos, pois estes já estão curados. A única exigência do Cristo é o arrependimento, em outras palavras, o reconhecimento do mal como algo intrínseco a cada um. A promessa é a seguinte: se você reconhece a doença e procura saná-la, você terá a cura. Pouco importa que você continue doente, ninguém mais será condenado pelo pecado original. Um católico que condena o sexo antes de casamento e pratica-o está condenado? Não. Estará no momento em que parar de reconhecer o erro, ou seja, negar a doença.
O catolicismo é o único sistema moral que não pode ser taxado de hipócrita, pois é o único que reconhece o erro como um dado da natureza humana e o perdoa. Mas Deus não pode impor a cura a quem não quer ser curado, ou Ele deixaria de ser Deus e se transformaria no ditador do universo.
Agora, você pode discordar de todos os valores católicos. Você pode acreditar que sexo antes do casamento não é errado. Ok. Você não é católico e pronto. Por que diabos você quer dar pitaco na religião alheia?
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 9:59 AM
Terça-feira, Março 10, 2009
Pelos poderes a mim conferidos
O catolicismo é a varanda de onde cuspo na plebe
O mais estranho nos últimos dias tem sido essa horda de donzelas lacrimosas pedindo para serem excomungadas. Como assim, “me excomunga”? Eles realmente acreditam que pertencem ao mesmo clube que Evelyn Waugh e Chesterton? Não, não. Vocês não podem ser excomungados porque vocês sequer seriam aceitos na nossa calçada.
Sei que não posso fazer isso nem nada, mas... diabos, nem católicos vocês são. Então, dêem-me o prazer:
- Eu vos excomungo!
Pronto, espero que estejam satisfeitos. Agora voltem para suas cavernas.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 4:24 PM
Domingo, Março 08, 2009
Domingo
When that I was and a little tiny boy,
With hey, ho, the wind and the rain,
A foolish thing was but a toy,
For the rain it raineth every day.
But when I came to man's estate,
With hey, ho, the wind and the rain,
'Gainst knaves and thieves men shut their gate,
For the rain it raineth every day.
But when I came, alas! to wive,
With hey, ho, the wind and the rain,
By swaggering could I never thrive,
For the rain it raineth every day.
But when I came unto my beds,
With hey, ho, the wind and the rain,
With toss-pots still had drunken heads,
For the rain it raineth every day.
A great while ago the world begun,
With hey, ho, the wind and the rain,
But that's all one, our play is done,
And we'll strive to please you every day.
William Shakespeare, Twelfth Night
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 11:53 AM
Sábado, Março 07, 2009
Minha conclusiva opinião sobre o uso da cor verde em suíças
Há um ou dois anos venho perdendo completamente minha capacidade de indignação. Pior, tenho perdido mesmo a capacidade de me comover com pessoas indignadas. O ônibus atrasou meia hora? Ok. Os passageiros sugerem tocar fogo no ônibus? Ok. Não vou participar da matança do cobrador e do motorista porque minha religião não permite. Mas vão em frente, pessoas indignadas.
Já fui uma pessoa indignada, eu acho. Hoje eu sento e espero a Grande Batalha do Fim dos Tempos. Na melhor das hipóteses perco um ou dois minutos vendo essa novela da Índia (gosto mesmo, juro). Em política, lembro vagamente de ter torcido contra o Obama. Mas isso já faz tanto tempo... enfim, boa sorte, Obama. Em religião, sou papista e isso deve ter alguma coisa de política, mas não penso muito no assunto. Em literatura, só tenho lido páginas avulsas.
Mas, desculpem, esse texto é sobre pessoas indignadas. Será que meu narcisismo ainda me permite concluir um parágrafo sem falar de mim? Talvez. Continuando. Li sobre esse padre que excomungou um monte de gente. Vi que todo mundo está indignado e tal. Pensei: “Vai, você tem que ter alguma opinião sobre esse assunto”. Na verdade, estava com uma opinião quase formada quando resolvi escrever este texto e perdi a concentração. E não, eu não consigo mais concluir um parágrafo sem falar de mim.
Mas estive pensando nesses versos de Lewis:
“But I was thinking of a plan
To dye one’s whiskers green,
And always use so large a fan
That they could not be seen.”
E concluí que verde não é mesmo uma boa cor para suíças. Mais, sou radicalmente contra a cor verde em suíças. Espero que vocês três não fiquem muito indignados com isso. Mas se ficarem, ok.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 4:04 PM
Segunda-feira, Março 02, 2009
Medievalices
"While Middle Ages took injustices for granted, such as would affront the conscience of our day, it cannot be denied that they elaborated amenities, urbanities and delicate refinements of life and art which must make our age seem, in comparison, like the recrudescence of barbarism."
Reinhold Niebuhr
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 9:34 AM
Sábado, Fevereiro 28, 2009
Sábado
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 2:50 PM
Arrependei-vos
Abro a página do Globo e passo a vista pela frase do leitor, assim:
“O Salgueiro trouxe para a avenida um enredo criativo, empolgante e sem esquecer da questão social. É isso que nós queremos: samba, arte, amor e paz.”
Vocês conseguem sentir? Vêem as ondinhas negativas que saem do computador? O ambiente está meio turvo em um raio de sessenta centímetros pra vocês também? Suas narinas captam o cheiro de desodorante Impulse? Entendam, não há nada de errado com um enredo criativo, com a arte, com o amor, com a paz, com a questão social. Estou tentado a dizer mesmo que não há nada de errado nem com o samba ou com o Salgueiro, mas aí já seria exagerar na tolerância, o que não combina com esses sapatos que estou usando. Mas há algo de podre na maneira com que essas palavras se organizam dentro da frase; de modo que, quando chegamos ao “paz”, algo em nosso sistema digestivo nos diz que o mundo não merece nenhuma atenção. Ficamos tentados (pelo menos eu fico) a escrever um daqueles tratados teológicos sombrios pregando a autoflagelação e a completa abstinência. Você também cogitou passar o resto da vida se alimentando só de arroz?
Por um minuto, a pessoa que escreveu isso se materializou na minha frente. A roupa mais ou menos espalhafatosa, a barba cuidadosamente desenhada, os óculos de aros grossos e retangulares, passou perfume demais, fala alto e abusa de expressões filistinas como “balada” e “fashion”. Descubro agora que trata-se de uma mulher. Olho de volta e, estranho, a barba continua lá. Eu sei que ela tem opiniões contundentes sobre a questão palestina, que ela tem facilidade para fazer amizades, que vê peças do Miguel Falabella. Sei em quem ela votou nas últimas cinco eleições, sei também que ela anda meio decepcionada com essa corrupção toda, participou de caminhadas contra o Bush e tem uma postura super crítica à sociedade. Ela é uma pessoa, assim, dez.
Faz uns cinco minutos que ela está tagarelando aqui ao meu lado e estou tentado a argumentar um pouco - às vezes eu posso ser bem argumentativo – sobre o feudalismo e porquê considero este o melhor sistema econômico já criado pela humanidade. Não, não quero convencê-la nem nada, mas talvez consiga fazê-la calar a boca por um minuto. Acho que é isso: essa frase deve ter umas vinte palavras, mas é como se fossem umas 2500 páginas em letra miúda, sem ilustrações. É como a obra completa de Leonardo Boff em cinqüenta volumes. Você também pensou em amarrar um cinto de cilício na coxa?
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 2:47 PM
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
Estética
Freqüento a missa Tridentina, recitada em latim, com o celebrante de costas para os fiéis (o correto seria dizer “de frente para o altar”, mas isso parece um cacoete politicamente correto; portanto, fiquemos com “de costa para os fiéis”, thank God). Não sou radical nem nada, não acho que a Missa Nova seja herética ou que o Vaticano II seja cismático, mas tenho um sério problema estético com esses padres que sapateiam no altar e cantam Fábio Junior.
Corro o risco de enfadar vocês três com miudezas, mas certas futilidades são fundamentais. Quando se adquire senso estético, um pouquinho que seja, visualizamos abismos onde outros enxergam insignificâncias. Exagero, reconheço, mas como deixar de ver uma nódoa moral em fiéis que se ajoelham pela graça de conseguir o financiamento de um carro usado? Não seria ridículo acreditar que o Cristo se submeteu ao madeiro para que você, dois mil anos depois, alcançasse a glória de adquirir um Fiat Uno 98? Se for se ajoelhar, faça-o pela salvação das almas, mas um maldito carro usado não vale sacrifício nenhum. É tão difícil assim perceber isso?
Dias atrás, encontrei uma velha amiga que se aprontava para o carnaval. Transparecendo meu pouco entusiasmo por eventos populares, comentei que sua simpatia e beleza terminariam por impingir graça ao ambiente, mesmo com a terrível concorrência do cheiro de cerveja e urina (emprestem leveza ao tom, para que a frase não pareça pronunciada por um completo bolha).
Tenho pensado que o desafogo da vida moderna é mais ou menos esse: procurar pequenas belezas em meio à feiúra habitual e esperar que elas contaminem tudo ao redor, como a missa em latim e lindas senhoritas no meio do carnaval.
posted by FRANCISCO FREIRE DE AMORIM SEGUNDO at 2:19 PM
|

“Pa-pa-pa-du-pa-du”
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus
Carlos Drummond de Andrade
Links
Alexandre Soares Silva
Angueth
Apyus
Coisas de Idiota
E Deus criou a mulher
Elite Triste Filthy McNasty JP Coutinho
Noite Americana
Óbvio Ullulante
O Indivíduo
Olavo de Carvalho
Paulo Francis
puragoiaba Reinaldo Azevedo
Riccardo Carvalho
Rua da Judiaria
Traduções Gratuitas
Web Gallery of Art
Wunderblogs
Uia eu de novo
Good Morning, Nelson! |